Moradora de Breves, na Ilha de Marajó, Bernadete Alves vive uma história de perseverança. Há 17 anos, trabalhou em uma lanchonete, onde aprendeu a fazer alguns quitutes. Alguns anos depois, utilizou os conhecimentos para colocar um carrinho de lanche em frente a uma escola da cidade.

O início da vida empreendedora foi uma alternativa ao desemprego. “Foi quando meu filho nasceu, há 11 anos. Depois de uns dois anos, as pessoas já conheciam e comecei a aceitar encomendas de doces e salgados para aniversário. Em seguida, fiz um curso de pasta americana, o que aumentou as recomendações. Depois de um tempo, já não conseguia mais vender na esquina e passei a atender apenas por encomenda”, conta Bernadete, ao lembrar de sua trajetória empreendedora, iniciada com o carrinho de lanches.

Bolos e doces feitos pela empreendedora mantém sabor artesanal
Produtos feitos pela empreendedora mantém sabor artesanal – Foto: Arquivo pessoal

Atualmente, a empreendedora conta com a ajuda de duas filhas, a sobrinha e a cunhada para dar conta dos pedidos. Por final de semana, ela faz de 600 a 3.000 unidades, uma média de 8.000 doces e salgados mensais, que ajudam a sustentar a família e pagar o imóvel em que vive com os três filhos e o esposo.

Bernadete chegou a ser beneficiária do Bolsa Família, programa de transferência de renda do Governo Federal. Com o apoio do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – Sebrae no Pará, conseguiu formalizar o negócio e se tornou uma Microempreendedora Individual (MEI).

“Quando o Sebrae veio pra cá, fizemos o coquetel de inauguração junto com uma amiga. Então, fomos conversar e abrimos a empresa. Eles fizeram minha marca, a identidade visual, e prestaram outros tipos de serviços para melhorar o meu negócio. Foi importante essa parceria, me abriu outras portas, muita gente me contrata por conta dos eventos que fiz com eles”, comemora a empreendedora.


Com apoio do Sebrae no Pará, Bernardete conseguiu formalizar e expandir seu negócio – Foto: Arquivo pessoal

Larisce Lauto, gerente do Sebrae na região do Marajó, lembra que a empreendedora também fez cursos e recebeu consultorias ofertados pela instituição. “Foi nas temáticas de vendas, atendimento, finanças e comunicação visual”, frisa. “Ela falava com grande entusiasmo do negócio. Se dispôs a sair do programa assistencialista para empreender, por acreditar em si”, observa Larisce.


Empreendedora produz uma média de 8.000 doces e salgados mensal – Foto: Arquivo pessoal

Para Bernadete, o sentimento é de vitória quando avalia seu crescimento. Atualmente, ela é contratada para coquetéis, cafés e grandes eventos, como aniversários de 15 anos e casamentos. “Comecei na beira da rua, arrastava carrinho de lanche no sol quente e temporal. Hoje, praticamente a gente não sai da cozinha. É bem gratificante. E, se Deus quiser, futuramente, vou industrializar o negócio, para atender à demanda, mas sem deixar os produtos perderem o sabor artesanal, o gosto que as pessoas dizem que é uma delícia. Tem uma diferença”, orgulha-se.

Salgadinhos começaram a ser vendidos na rua e hoje a produção é feita por encomenda para atender eventos
Produção é feita por encomenda para pequenos, médios e grandes eventos em Breves – Foto: Arquivo pessoal

“Ainda existe um grande índice de informalidade, mas a conscientização sobre os benefícios de formalizar o negócio tem aumentado”, destaca a gerente do Sebrae, ao falar um pouco da realidade do empreendedor na região da ilha que atua. “ Bernadete é um grande exemplo de que empreender é via para a qualidade de vida e para o desenvolvimento da região”, destaca Larisce.

Para saber mais sobre o apoio que o Sebrae no Pará prestar aos empreendedores, clique aqui.

 

Fonte: O Liberal
Foto: Arquivo pessoal