Confiança no fim do jejum apesar dos problemas. O Brasil começa nesta quinta-feira a participação no Sul-Americano Sub-20 com um objetivo com cara de obrigação: se classificar para o Mundial, que será disputado a partir de maio, na Indonésia.

Missão que já foi fácil, mas se tornou desafio após apenas uma presença nas últimas quatro edições e vetos frequentes para liberação de seus principais jogadores por parte dos clubes. Problemas que o tetracampeão Branco garante que a Seleção está pronta para superar.

Branco conversa com a comissão técnica durante treino na Colômbia — Foto: Rafael Ribeiro / CBF

                             Branco conversa com a comissão técnica durante treino na Colômbia

Coordenador das seleções de base da CBF, o ex-lateral-esquerdo conversou com o ge para falar da competição que tem início no confronto com o Peru, às 19h (de Brasília), em Cali, pela rodada de abertura do Grupo A. Pentacampeão da categoria, o Brasil não levanta o troféu desde 2011, na mesma Colômbia que recebe o Sul-Americano, e tem retrospecto decepcionante nas últimas edições.

Campeão 11 vezes do torneio classificatório, o Brasil só esteve entre os quatro classificados para a Copa do Mundo da categoria em 2015 nas últimas quatro edições, ainda assim no limite, ficando com a última vaga. Branco não esconde a importância de mudar esse panorama, mas sem que a missão se torne uma pressão para geração comandada por Ramon Menezes, e que tem em Andrey Santos e Vitor Roque os principais destaques.

“A gente trabalha de maneira natural. Não adianta colocar muita pressão na cabeça dos atletas. O importante de tudo isso é que é preciso estar preparado para as oportunidades. A oportunidade é deles agora”

 

– Costumo dizer que estão a caminho do paraíso, que é jogar uma Copa do Mundo, que vai influenciar muito no futuro deles em termos de seleção brasileira, principalmente em um momento de renovação muito grande.

Branco fala sobre o desafio do Brasil para voltar ao Mundial Sub-20 após seis anos

A queda de rendimento do Brasil foi acentuada após clubes dificultarem a liberação de promessas cada vez mais importantes em suas equipes principais. Como o Sul-Americano e o Mundial não são datas Fifa, a presença dos jovens fica totalmente a cargo de suas equipes e a Seleção entra em campo na Colômbia com sete baixas em relação ao chamado inicial de Ramon.

Jogadores não liberados pelos clubes

 

  • Endrick (Palmeiras)
  • Giovani (Palmeiras)
  • Matheus França (Flamengo)
  • Victor Hugo (Flamengo)
  • Marcos Leonardo (Santos)
  • Ângelo (Santos)
  • Lucas Beraldo (São Paulo)

 

Principais joias desta geração, Endrick, Matheus França e Marcos Leonardo não foram liberados por Palmeiras, Flamengo e Santos, respectivamente. Os mesmos clubes alegaram contar com os jovens nos Estaduais para manter também Giovani, Victor Hugo e Ângelo, mesmo argumento utilizado pelo São Paulo para Lucas Beraldo.

Branco é coordenador das seleções de base da CBF — Foto: Felipe Moreno/MowaPress

                                         Branco é coordenador das seleções de base da CBF

– Alguns liberam, outros não, mas o mais importante nisso é que o Sul-Americano é a primeira fase do Mundial, assim como as eliminatórias na seleção principal. Mundial Sub-20 e Sub-17 hoje em dia são disputados por jogadores que muitas vezes são titulares em seus clubes e a Fifa devia dar uma atenção maior a uma competição que é dela, pensar em uma maneira de proteger as fases iniciais do Mundial – disse Branco.

O Brasil estreia no Sul-Americano nesta quinta, às 19h (de Brasília), diante do Peru, no estádio Pascual Guerrero, em Cali. A primeira fase é dividida em dois grupos de cinco, com os três primeiros avançando para o hexagonal que classificará quatro países para a Copa do Mundo na Indonésia.

 

Preparação para o Sul-Americano

 

– A preparação foi muito boa, espetacular. O Ramon tem uma equipe muito boa, jogadores de muita qualidade individual. Logicamente, com o decorrer da competição o conjunto vai melhorar, e esperamos uma estreia espetacular contra o Peru. É importante começar ganhando, em estreia sempre tem o friozinho na barriga que é natural, mas estamos confiantes e esperançosos de fazer um Sul-Americano e retornar a classificar para o Mundial.

Ramon Menezes comanda a seleção sub-20 — Foto: Carlos Santana / CBF

                                                     Ramon Menezes comanda a seleção sub-20

Missão Mundial da Indonésia

 

– É um objetivo importantíssimo dentro do nosso trabalho. Por tudo, pela estrutura que a CBF nos oferece, pela capacidade dos atletas, que eu dou muito valor aos clubes, que tem formado bem e investido na base, em estrutura, e isso faz com que tenhamos opções de convocar jogadores de qualidade. Tem duas edições que a gente não vai, teve o período da pandemia. Esperamos acima de tudo classificar para o hexagonal, que é o primeiro objetivo. Queremos ficar entre os quatro que se classificam para o Mundial da Indonésia e correndo sempre atrás do objetivo maior, que é o título.

Pressão por oito anos fora do Mundial

 

Garotada sub-20 levanta o troféu do Mundial conquistado em 2011 na Colômbia — Foto: AP

                     Garotada sub-20 levanta o troféu do Mundial conquistado em 2011 na Colômbia

– A gente trabalha de maneira natural. Não adianta colocar muita pressão na cabeça dos atletas. O importante de tudo isso é que é preciso estar preparado para as oportunidades. A oportunidade é deles agora. Costumo dizer, que estão a caminho do paraíso, que é jogar uma Copa do Mundo, que vai influenciar muito no futuro deles em termos de seleção brasileira, principalmente em um momento de renovação muito grande. São jogadores jovens, vimos na Copa do Qatar que muitos jogadores que estiveram na Olimpíada tiveram a oportunidade. E o caminho desses atletas é esse. Só depende deles, logicamente com espírito de grupo que o individual aparece. Só assim vamos chegar!

Endrick e outros jovens não liberados

 

– Acho que o importante nesta questão é valorizar o nosso trabalho de observação que a CBF nos oferece a estrutura. Dentro disso, temos uma ampla rede de observação de atletas no Brasil inteiro e fora também. O Sávio é do PSV, o Andrey foi para o Chelsea, e outros tantos. É um problema que nós temos, porque o Mundial e o Sul-Americano Sub-17 e Sub-20 não são datas Fifa e sofremos com isso. O importante agora é valorizar o grupo de 23 jogadores que estão aqui na Colômbia para a estreia contra o Peru, dar moral para garotada e pensar no objetivo maior, que é classificar para o Mundial.

Há solução para o problema da não liberação?

 

– Na realidade, o assunto importante é a questão dos relacionamentos com os clubes. Alguns liberam, outros não, mas o mais importante nisso é que o Sul-Americano é a primeira fase do Mundial, assim como as eliminatórias na seleção principal. Mundial Sub-20 e Sub-17 hoje em dia são disputados por jogadores que muitas vezes são titulares em seus clubes e a Fifa devia dar uma atenção maior a uma competição que é dela, pensar em uma maneira de proteger as fases do Mundial. Não é só o Brasil que sofre, todos os dez países da América do Sul sofrem, mas é uma coisa a se pensar até mesmo para o desenvolvimento do futebol. É algo para se pensar para ter campeonatos fortes, de qualidade, e é uma coisa importante. Futuramente, os dirigentes que comandam o futebol mundial devem pensar em uma maneira de resolver esse tipo de problema.

Endrick, do Palmeiras, comemora gol pela Seleção sub-17. Joia não foi liberada pelo Palmeiras — Foto: Bruno Pacheco/CBF

              Endrick, do Palmeiras, comemora gol pela Seleção sub-17. Joia não foi liberada pelo Palmeiras

Principais adversários

 

– Costumo dizer que o Sul-Americano é muito mais difícil do que o Mundial, que é a fase final. O futebol está equilibrado no mundo inteiro. Hoje em dia, todo mundo estuda todo mundo e se enfrenta. A comunicação e as informações são muito mais rápidas. Nosso grupo é bem difícil. Por isso, é importante estrear com vitória. São adversários extremamente difíceis. O importante é focar no objetivo de classificar para o hexagonal, em Bogotá. Depois, é outro campeonato. Nosso objetivo maior é se classificar para o Mundial, para o Pan-Americano, e temos que entrar 110% concentrados para atingi-los.

Fonte: G1
Foto: Rafael Ribeiro / CBF